A Festa Julina não é apenas um momento de confraternização. Ela é uma oportunidade de aproximar nossos estudantes da cultura brasileira, fortalecer vínculos, estimular habilidades cognitivas, ampliar repertórios linguísticos e promover experiências que façam sentido para a vida!
Por isso, cada atividade proposta possui uma intencionalidade terapêutica e pedagógica.
Postado em 24/07/2026
Na INCLUSIONE, acreditamos que uma festa pode ensinar.
A Festa Julina não é apenas um momento de confraternização. Ela é uma oportunidade de aproximar nossos estudantes da cultura brasileira, fortalecer vínculos, estimular habilidades cognitivas, ampliar repertórios linguísticos e promover experiências que façam sentido para a vida!
Por isso, cada atividade proposta possui uma intencionalidade terapêutica e pedagógica.
Neste ano, escolhemos a Literatura de Cordel como um dos principais eixos do nosso projeto.
Essa escolha não aconteceu por acaso.
Muito antes de aprender a ler palavras, todo ser humano aprende a interpretar pessoas, objetos, sons, lugares, expressões, histórias e experiências.
Essa é a leitura de mundo!
É a capacidade de atribuir significado ao que nos cerca antes mesmo da leitura convencional.
A literatura de cordel nasce exatamente desse encontro entre experiência, cultura e linguagem.
Ela nasce nas feiras populares.
Nas conversas.
Nas praças.
Nas histórias transmitidas entre gerações.
Nas vivências do cotidiano.
Por isso, aproxima o estudante da linguagem de maneira concreta, significativa e afetiva.
Especialmente para estudantes que apresentam alfabetização tardia, deficiência intelectual ou outras condições do neurodesenvolvimento, iniciar pelaquilo que possui significado costuma produzir muito mais aprendizagem do que começar apenas pela memorização de letras.
Primeiro compreendemos.
Depois nomeamos.
Depois lemos.
Depois escrevemos.
Poucas pessoas representam tão bem o poder transformador da literatura de cordel quanto Tião Simpatia.
Nascido no interior do Ceará, em uma família simples, teve uma infância marcada por dificuldades de acesso à educação e aos livros. Foi na cultura popular e no cordel que encontrou uma forma de descobrir o prazer pela leitura, pela escrita e pela comunicação.
Aquilo que começou com versos populares transformou completamente sua trajetória.
Hoje, Tião Simpatia é reconhecido em todo o Brasil como escritor, cordelista, poeta, educador, palestrante e um dos maiores divulgadores da literatura de cordel contemporânea. Suas obras são utilizadas em escolas, universidades, projetos sociais e programas de incentivo à leitura, demonstrando que a cultura popular também produz conhecimento, cidadania e educação de excelência.
Sua história nos lembra de algo profundamente importante:
Nunca é tarde para aprender!
Mais do que isso, nunca é tarde para descobrir uma forma de aprender que faça sentido.
Essa talvez seja uma das maiores lições da educação inclusiva.
Muitas vezes, o estudante não apresenta dificuldade para aprender. Ele apenas ainda não encontrou uma linguagem capaz de despertar seu interesse, inspirar e dialogar com sua forma de compreender o mundo.
É justamente nesse ponto que a trajetória de Tião Simpatia se encontra com a filosofia da INCLUSIONE.
Assim como o cordel abriu caminhos para que ele descobrisse o prazer pela leitura, pela escrita e pela comunicação, acreditamos que cada estudante também pode encontrar, por meio de experiências significativas, sua própria forma de aprender. Não escolhemos a literatura de cordel apenas por ser uma tradição da cultura nordestina ou um elemento típico das festas julinas.
Escolhemos porque ela transforma a cultura em linguagem.
A linguagem em aprendizagem.
E a aprendizagem em desenvolvimento.
Na INCLUSIONE, entendemos que alfabetizar vai muito além de ensinar o nome das letras ou a formação das sílabas.
Alfabetizar é ensinar o estudante a compreender o mundo ao seu redor, estabelecer relações, comunicar ideias, reconhecer sua cultura e construir autonomia.
Por isso, o cordel tornou-se uma ferramenta terapêutico-pedagógica dentro do nosso projeto.
Ele aproxima a leitura da realidade do estudante, fortalece a alfabetização funcional, amplia a leitura de mundo, aumenta repertório de conhecimento, traz experiências concretas e demonstra, na prática, que aprender começa quando aquilo que se ensina faz sentido para quem aprende.
Porque ele reúne, em uma única ferramenta pedagógica, cultura, oralidade, leitura, escrita, memória, ritmo, criatividade e identidade.
Ao ouvir um cordel, o estudante amplia sua atenção e compreensão auditiva.
Ao acompanhar os versos, desenvolve consciência fonológica, tempo e amplia o vocabulário.
Ao criar seus próprios textos, organiza o pensamento, fortalece a linguagem escrita, organização, planejamento e exercita a criatividade.
Ao ilustrar suas produções, estimula coordenação motora, planejamento e organização espacial.
Ao declamar, desenvolve comunicação, autoestima e participação social.
Além disso, o cordel respeita um princípio fundamental da educação inclusiva: partir do concreto para o abstrato, da experiência para o conceito e da cultura para a aprendizagem.
Em uma única proposta pedagógica, diferentes áreas do desenvolvimento são estimuladas de maneira integrada.
Essa compreensão dialoga profundamente com o pensamento da psiquiatra Nise da Silveira.
Enquanto grande parte da psiquiatria do século XX priorizava práticas centradas apenas na doença, Nise demonstrou que a expressão artística poderia favorecer organização emocional, comunicação e desenvolvimento humano.
Para ela, desenhar, pintar, modelar, contar histórias e criar eram formas legítimas de expressão da subjetividade. A arte permitia que cada pessoa encontrasse caminhos para comunicar aquilo que muitas vezes não conseguia colocar em palavras.
Hoje, essa visão é amplamente reconhecida pelas neurociências e por diferentes áreas da saúde, que apontam os benefícios das experiências artísticas para atenção, memória, linguagem, planejamento motor, autoestima, interação social e aprendizagem.
É justamente nesse ponto que arte-educação e arteterapia dialogam.
A arte-educação utiliza a arte como instrumento para ensinar.
A arteterapia utiliza a arte como possibilidade de expressão, elaboração emocional e desenvolvimento.
Na INCLUSIONE, esses caminhos frequentemente caminham juntos! Cada produção artística deixa de ser apenas uma atividade. Ela se transforma em uma experiência.
Nossa Festa Julina foi construída para celebrar a cultura brasileira, mas também para promover alfabetização funcional, leitura de mundo, comunicação, autonomia, criatividade, habilidades sociais e pertencimento.
O cordel tornou-se o elo entre tradição, cultura e aprendizagem.
Mais do que ensinar rimas, ele ensina o estudante a organizar ideias, comunicar sentimentos, reconhecer sua identidade cultural e perceber que sua própria história também merece ser contada.
É por isso que, na INCLUSIONE, cada verso escrito, cada xilogravura produzida, cada declamação, cada música, cada cena e cada história compartilhada deixam de ser apenas uma atividade típica de Festa Julina e passam a fazer parte de um processo terapêutico-pedagógico que acredita no potencial de cada estudante.
Na INCLUSIONE, nenhuma proposta existe apenas porque está prevista no calendário.
Cada receita preparada.
Cada dança.
Cada música.
Cada pintura.
Cada história.
Cada verso.
Tudo possui uma intencionalidade terapêutica e pedagógica. porque acreditamos que alfabetizar vai muito além de ensinar letras. É ensinar o estudante a compreender o mundo, comunicar-se com autonomia, reconhecer seu lugar na cultura e descobrir que também é capaz de escrever a própria história.
E, assim como a trajetória de Tião Simpatia inspira milhares de brasileiros, seguimos acreditando, todos os dias, que a aprendizagem acontece quando o conhecimento encontra significado.
Porque nunca é tarde para aprender quando se respeita a singularidade de cada sujeito.
Raquel Ortega - Terapeuta Ocupacional
Diego Monteiro - Psicanalista
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Categorias: Arte e Cultura;