Eu não sei quem é quem?!

Postado em 08/09/2015


Certa vez propus uma atividade lúdica, na forma de uma grande oficina de arte e cultura, com atividades diversificadas, para crianças de 7 a 12 anos!
Euforia total!
Passamos uma tarde juntos construindo e descontruindo espaços, formas, cores e as relações!

De fora, assisti imagens lindas! Olhares se cruzando e se reconhecendo... Diversas vezes mãos dadas... A comunicação fluindo, seja ela com palavras ou não!

Crianças por si só buscam outras crianças....Buscam seus pares... Todos na mesma vibração! Na mesma alegria! No mesmo jogo! Na mesma intensidade! Todos juntos e misturados!!!

As 12 crianças  iam e vinham juntas! Uma massa de liberdade se deslocando de lá para cá! 
Sorrisos vibrantes! Gargalhadas!! Muita cooperação e colaboração! Muita parceria! Muita energia boa!!

Por vários momentos me vi olhando aquelas cenas de amor e pureza acontecendo espontaneamente na minha frente, e me peguei a refletir onde está a lacuna da inclusão?
Naquela faixa etária, naquela tarde, a Inclusão era plena!!! 
A inclusão estava ali nos abraçando! Eu vi! Eu vivi! Eu estava lá!!
Das 12 crianças, 5 tinham uma deficiência e as outras 7 não. 
Totalizando simplesmente 12 crianças!

Não havia diferença.... Não havia preconceito... 
Havia sim respeito! Muito respeito! Mas não porque algumas tinham uma deficiência e outras não, mas sim respeito porque havia uma consciência inata de que todos temos limites! Como eu sempre digo, cada um com seus problemas!

Respeitava-se as pessoas porque eram pessoas... Ninguém respeitou a deficiência! Porque a deficiência não requer simplesmente respeito. O ser humano requer respeito!

Eu estava rodeada de 12 formas genuínas de cidadãos descentes e honrados! Repletos de valores e caráter!
Brindavam a infância com milhares de sorrisos, gritos eufóricos de alegria e olhares brilhantes!

Neste dia um colega se dispôs a fotografar as atividades para mim. Ficou a tarde toda conosco, sem interferir nas atividades, apenas fotografando. E esse fotografar permitiu a ele observar além da lente da câmera... Após algumas horas ele se aproximou de mim e perguntou: quem é quem?
Bingo!
Me emocionei!
Tive a certeza que estava no caminho correto! Construindo e promovendo espaços plenos de inclusão!




Depois daquele dia me peguei a pensar inúmeras vezes onde a inclusão se perde da infância para a adolescência e mais ainda para a idade adulta.
Penso muito sobre isso!
Não tenho respostas!

Caminho com propostas de inclusão para todas as idades, mas confesso que estou muito atenta a perceber em qual momento muitos dos adultos de hoje perderam a mão, o jeito, o afeto e o respeito...

Enquanto isso, cuido minuciosamente e pessoalmente de cada detalhe das propostas do Inclusione (https://www.facebook.com/inclusioneconsultoriaeassessoriapara as crianças, pois tenho a certeza que essa geração, ou pelo menos essas crianças que estão comigo, serão adultos honráveis! 

Planto diariamente essa semente da Inclusão! Acredito sim na Inclusão! Utópica? Talvez... Mas possível em sua essência!

Raquel Ortega
Terapeuta Ocupacional e Arte Terapeuta





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Categorias: Coluna Raquel Ortega;

Tags: Inclusão,inclusione,crianças,relação,olhar


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