Adultos com deficiência: a Arte de viver!

Postado em 04/08/2015



Ao pensarmos em nossa fase adulta, culturalmente fazemos planos profissionais, casamento (ou não... rs), filhos e uma velhice no mínimo confortável.
Passam-se os anos, e percebemos que o que era velho aos 40, é muito novo! E o que era velho aos 50, é melhor ainda! Mas mesmo brincando com essas concepções de idade cronológica, a idéia de futuro ainda se faz permeando o que culturalmente e socialmente se crê como bem sucedido!
Mudamos paradigmas, valores e concepções, mas seguimos num modelo macro socialmente aceito e respeitado. Com o passar dos anos nos ajustamos conforme nossas crenças e experiências vividas, nossas possibilidades concretas e nossos desejos.... Enfim, ajustes corriqueiros imprimidos por nosso amadurecimento, abraçado a anos de uma vida bem vivida!

O processo de crescer e envelhecer tem sua arte.... Uma estética ímpar a nos encantar e abrilhantar. Cada história, cada marca, cada ruga, cada lembrança, cada um que esteve conosco.... Momentos únicos de uma vida única!  A nostalgia de olhar para trás e dizer: faria tudo de novo! Somos o que somos pelo que vivemos... Momentos ruins ou tristes fazem parte dessa construção artística!
E assim sorrimos... E assim vivemos.... E assim a vida segue....

Tudo muito lindo, mas muitos dos adultos  possuem uma deficiência! Socialmente, de forma genérica, falamos de exclusão. Cruel e rude, mas verdadeiro. Afunilando essa discussão para deficientes adultos na área da saúde mental, vemos casamentos considerados milagres, profissionais inclusos no mercado de trabalho por uma lei de cotas e uma velhice incerta permeando internações ou abrigos. 
Muito, mas muito rude! Cruel! Triste.... Cadê a arte de envelhecer?

Em se falando de crianças com deficiência, foca-se na superação e na valorização de pequenos ganhos quase que diários! Atividades corriqueiras como escovar os dentes ou tomar um banho ganham uma dimensão astronômica, e nos fixamos nessa imensa conquista de autonomia e independência! De fato um ganho fundamental para sua qualidade de vida! Trabalha-se muito para isso! 
Mas a vida segue para todos nós....  E a discrepância de expectativas distancia a realidade de futuro de um adulto com deficiência de outro sem deficiência. 

Penso que é complicado desejar o desejo do outro.... 
Porém ser mãe de um adulto com deficiência ou atender esse adulto, nos compete  querer sempre mais. Por ele ou por nós?

Caminhamos na ânsia de uma vida adulta estável e feliz....  Então, façamos essa reflexão para os adultos com deficiência! Vamos cuidar de desejar isso para eles! Desejar... Proporcionar... Instrumentalizar...

A estabilidade, considerando que esse adulto com deficiência seja uma pessoa assistida, que não é responsável por seus bens ou mesmo por gerenciar  uma conta no banco, fica a critério da família.

Agora, falemos de felicidade! De simplesmente ser feliz! Daí falamos da essência de viver....
Proporcionar momentos que culminem em felicidade não tem preço! 
Aqui falamos das sutilezas da vida... Dos detalhes... Do que muitas vezes é imperceptível aos olhos....

Uma felicidade a qualquer preço? Três parágrafos atrás dissemos que a estabilidade é por nossa conta! Então, que os adultos com deficiência se desprendam de qualquer pudor ou regime social e sejam genuinamente felizes!
A arte de envelhecer embeleza a todos! 
Uma arte lírica, plástica, artística.... Uma arte que pode toda arte! 
 
 

Assim é o espaço de convivência do Inclusione, proporcionando arte e cultura para adultos com deficiência! Com um viés terapêutico intrínseco e  inerente, proporcionamos aos jovens e adultos com deficiência um espaço onde acontecem trocas, vivências, experiências, curiosidades, oportunidades e bem estar! Uma qualidade de vida cuidada em seus detalhes, sensível as expectativas e com sabor de quero mais!
Espaços que transcendem uma sala ou um ateliê... Espaços construídos por nós conforme nosso caminhar! Espaços muito nossos, onde sempre cabe mais um! Porque nós vivemos e acreditamos na inclusão!

Raquel Ortega
Terapeuta Ocupacional e Arte-Terapeuta




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