A Música e a Inteligência Lógico Matemática

Antes da criança nascer, ela já está em contato com o ritmo por meio dos batimentos cardíacos do coração da mãe. O contato com a música  acontece desde então, porém fica mais intenso depois que ela nasce e começa a viver o universo sonoro que a cerca.

Postado em 27/04/2016


A Música e a Inteligência Lógico Matemática

Desde cedo a criança demonstra interesse por ritmos e sons musicais, e a receptividade ao som é um fenômeno corporal. Isso acontece porque, com o passar do tempo, a criança experimenta sons que pode produzir com a boca, onde ela é capaz de perceber e reproduzir esses sons acompanhando com  movimentos corporais. Essa movimentação desempenha um importante papel nas formas de comunicação e expressão que se utilizam do ritmo, tais como: a música, a linguagem verbal e a dança.

Durante a infância o cérebro humano é mais maleável e os efeitos da aprendizagem são maiores do que qualquer outra fase da vida (Flohr, Miller & Deebus, apud Illari, 2006). As atividades com música sejam por meio da execução de um instrumento ou brincadeiras e jogos rítmicos, auxiliam diretamente no desenvolvimento cognitivo da criança. Segundo Chiarelli e Barreto (apud Bréscia, 2003), a musicalização é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, autodisciplina, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, bem como contribuir para uma efetiva consciência corporal.

Como vimos, vários aspectos são estimulados e é estreita a relação causal existente entre a inteligência musical e a inteligência lógico matemática. Essas inteligências foram definidas por Howard Gardner no livro Estruturas da Mente (Frames of Mind), de 1983. Essa relação se dá pelo fato da matemática estar diretamente envolvida na estrutura da música, e também pelas duas fazerem parte dos conhecimentos dos indivíduos ilustrados e respeitados socialmente na antiguidade (Ilari, 2006). Platão dizia que “a música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”.

Sabe-se que as atividades desenvolvidas com música atingem os dois hemisférios do cérebro, e que a área cerebral responsável pela inteligência musical está muito próxima da área da inteligência do raciocínio lógico matemática. O estímulo que o cérebro recebe quando se estuda disciplinas que envolvam a matemática e línguas, ativam as regiões cerebrais que também são solicitadas para processar a produção de sentido e emoção da música. Segundo a Professora Aurilene Guerra (UFPE), o processo mental que é usado para executar sequências e perceber espaços envolve complexas funções cerebrais, como as que são utilizadas na resolução de equações matemáticas avançadas. Essas mesmas funções são utilizadas por músicos na execução de um instrumento ou em atividades musicais. Aurilene ainda aponta que estudos mostraram uma correspondência significativa entre o contato nos primeiros anos de vida com atividades que envolviam música e o desenvolvimento da inteligência espacial, que é uma das responsáveis por estabelecer relações entre itens e que favorece as habilidades matemáticas. Essas habilidades são necessárias ao fazer musical no processo de divisão de ritmos e contagem de tempo (espaço da música).

O estudo de um instrumento ou o estímulo por meio de atividades que envolvam música é muito benéfico e auxilia no desenvolvimento de vários aspectos, como o raciocínio e a concentração. Devemos lembrar que as atividades de musicalização não visam o ensino técnico de um instrumento, mas sim proporcionar o contato com a música,de forma prazeirosa. É importante despertar a motivação na criança e proporcionar bem-estar. Para Vygotsky, o processo de cognição tem origem na motivação. O sujeito se direciona para aquilo que quer fazer ou estudar.

Por fim, podemos entender que a música é uma grande facilitadora no processo de aprendizagem, favorecendo ativamente o desenvolvimento cognitivo, sensitivo e motor da criança. Buscamos a motivação, oferecendo atividades que proporcionem prazer, e não impor uma situação!

 

Junior Cadima

Pedagogo e Professor de Bateria do Conservatório Carlos Gomes. Pós Graduando em Psicopedagogia e Neurociência aplicada à Educação pelo IBFE – Instituto Brasileiro De Formação de Educadores.
Referências:

BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.

CARTOLA, Agência de Conteúdo. Música ativa região do cérebro ligada ao raciocínio e concentração. Disponível em http://www.noticias.terra.com.br/. Acesso em 15 de Abril de 2016.

GAZOLA, André. Inteligências Múltiplas: A teoria de Howard Gardner. Disponível em: http://www.lendo.org/. Acesso em: 13 de Abril de 2016.

ILARI, Beatriz. A Música e o Desenvolvimento da Mente no Início da Vida: Investigação, Fatos e Mitos.Revista Eletrônica de Musicologia. Universidade do Paraná: Volume IX,Outubro de 2005.

SALLA, Fernanda. Neurociência: como ela ajuda a entender a aprendizagem. Disponível em:  http://www.revistaescola.abril.com.br/. Acesso em 15 de Abril de 2016

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